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Por vezes até gosto das diretas e de algumas verdades do Dr. Medina Carreira, mas que se fique só pela análise sobre números e contas. 

educação,  ensino superior, Medina Carreira



O Dr. Medina Carreira pode entender muito de números e de contas, disso não tenho dúvidas, mas demonstrou perceber muito pouco de apuramento dos resultados em Educação, Ensino Superior, Ciência e Investigação, tal como foi possível constatar hoje no programa "olhos nos olhos", da TVI24.

 

No programa de hoje, o Dr. Medina Carreira demonstrou um pensamento ideológico puramente economicista e há muito ultrapassado, pelo que será de perguntar: porque é que não coloca os filhos e netos de electricistas, pedreiros ou picheleiros? Assim, já não necessitaria de meter a cunha para conseguir o tal amigo picheleiro para lhe resolver os problemas. 

 

Esta situação faz-me lembrar de muitos drs. que procuram um enfermeiro para cuidar dos seus pais idosos e que, mesmo de classe média alta, reclamam por não aceitarem o trabalho dia e noite pelo valor do salário mínimo.  A estes eu gosto de perguntar porque é que não são eles próprios a cuidar dos seus pais idosos, já que lhes ficaria mais barato, sendo que até têm condições de ficar em casa a viver à custa do que os seus pais amealharam. Claro que ficam chateados, mas é-me indiferente, sendo que deveriam no mínimo ter mais respeito pelo trabalho que é feito em prol deles e dos seus pais já envelhecidos, dependentes e por vezes acamados.

Por outro lado, o Fisico Dr. Carlos Fiolhais, esteve muito bem na defesa da educação, da ciência e da investigação, sendo que o saber é o bem mais precioso que qualquer cidadão transporta consigo, por toda a vida e para qualquer parte do mundo, o qual pode e deve ser aplicado nas mais diversas áreas ou serviços e desde as profissões manuais, mais "simples", até às de maior complexidade intelectual. Coloquem um dr. carreira ou cunha a apertar uma torneira e verão o resultado.  Provavelmente, se frequentassem ambas as faculdades, estariam duplamente mais bem preparados. 

É certo que o País tem falhado na preparação profissionalizante e mesmo na preparação Cívica, Científica e Empreendedora, mas isso não impede o cidadão de amadurecer e de, a qualquer momento, aplicar, replicar e desenvolver o conhecimento adquirido, quer seja em prol de si próprio, como da indústria, do comércio, , do ambiente, ..., ou seja, da sociedade em geral. Se o cidadão for deficitário em educação, ciência e conhecimento, certamente ficará condenado à eterna condição de electricista, de pedreiro ou de picheleiro "básico", parado no tempo e com pouca ou nenhuma possibilidade de integração, de evolução e de desenvolvimento.

Quantos cidadãos e empresários não ficaram parados no tempo por falta de educação, de preparação e de conhecimento? Quantos electricistas, pedreiros, picheleiros ou pequenos e médios empresários não gostariam de ter mais qualificações para poderem evoluir socialmente, profissionalmente ou empresarialmente?

Acredito que se esses cidadãos e empresários tivessem mais e mais educação, mais e mais qualificações, mais e mais formação,..., certamente teriam progredido mais, quer a nível humano/individual, como a nível laboral, social, salarial e empresarial, sendo que está mais do que demonstrado que os funcionários e empresários altamente qualificados geram maior desenvolvimento e logo maior produtividade. 

Eu, pessoalmente, ja fui empregado agrícola, electricista, trolha, mineiro, operador de caixa, auxiliar, administrativo e cheguei a técnico superior. Mas só lá cheguei porque fui apostando em mais e mais educação, mais e mais formação, mais e mais qualificação, sempre a par de mais e mais trabalho.

emprego dos diplomados ensino superior



Então e se eu não tivesse estudado? Seria um melhor operario?

Eu sei que não!  

Os meus avós eram empregados agrícolas, os meus pais operários não qualificados e eu, sem escola e sem qualificações, o que e que seria hoje?

Certamente continuaria a ser um operário não qualificado.

Seria certamente  pedreiro ou electricista e nem sequer preparação teria para ver este tipo de programas e muito menos para reflectir e comentar as opiniões dos senhores drs . 

Bem haja às mulheres e homens que implementaram e procuraram desenvolver o Estado Social, que nos proporcionaram educação básica, secundária e superior e nos apoiaram a lá chegar e a poder frequenta-lo em "idênticas" condições ( claro que não foi em idênticas condições mas, mesmo com dificuldades económicas e sempre a trabalhar, lá fui caminhando, passo a passo, e aplicando os conhecimentos à prática). Sem esse Estado Social e sem essa visão sobre a importância da Educação e do Ensino Superior é que eu não teria sequer saído lá do campo, onde se trabalhava de sol a sol e fins-de-semana, por meia sardinha e sem salário. 

Agora, com mais estudos, eu até posso ter de voltar ao campo, às obras, à electricidade ou até emigrar para profissões "menos qualificadas", mas tenho a certeza que serei uma pessoa totalmente diferente e sempre com uma visão de amadurecimento, de evolução e de crescimento sempre presente.

Poderia até ser um pequeno ou médio empresário, sendo que tinha outros conhecimentos e outra visão sobre o trabalho e sobre a sociedade que hoje está em constante evolução e desenvolvimento . Poderia até continuar um eterno funcionário assalariado, mas tenho a certeza de que me sentiria muito melhor com mais qualificações e evoluiria profissionalmente com mais facilidade, sendo que as técnicas e práticas também evoluem muito rapidamente e são cada vez mais exigentes, mesmo nas profissões que exigem "erradamente" menores qualificações. 

Eu prefiro ter uma formação superior em Direito, em Sociologia, em Gestão, Saúde, ..., ou qualquer outra e trabalhar como pedreiro ou picheleiro, do que ser um picheleiro sem o ensino básico e não ter sequer a devida consciência do mundo, da educação, da ciência e do desenvolvimento tecnológico. 

Pelo menos poderia ser um picheleiro ou pedreiro com um nível cultural e educacional idêntico ou superior ao dos filhos e netos dos drs carreiras e cunhas e com a vantagem acrescida de ser detentor do conhecimento e das competências para ouvir, interpretar, reflectir e refutar, sempre que necessário, sem sentir qualquer constrangimento ou inferioridade. Isso é o que incomoda hoje muitos drs carreiras e cunhas. O problema desses drs , é que os netos e filhos de drs carreiras e cunhas dificilmente conseguiriam ser picheleiros e doutores, mas os filhos dos pedreiros e picheleiros conseguem com facilidade desempenhar diferentes profissões e ao mesmo tempo ser doutores.

abordagens ensino superior
modelo integrado para o ensino superior



Com mais educação e mais e melhores qualificações, o picheleiro será sempre muito superior aos drs., sendo que passa a estar em vantagem relativamente a estes, uma vez que, para além dos certificados ou diplomas académicos, passa a ter outras capacidades e competências para lhes apertar alguns canos, lhes espetar uns pregos e apertar alguns parafusos, sejam, físicos ou mentais.

 

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